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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Os crentes geralmente defendem posições sem se aperceberem dos entornos à sua volta.  Não notam que questões e que condicionamentos os cercam.  Não percebem que tantas vezes pensam estar afirmando verdades bíblicas, sem se darem conta que apenas reproduzem discursos ideológicos de manutenção do poder por seus donos.  Não percebem o absurdo que é, em nome da defesa da submissão, defender a injustiça, a opressão, a morte e o mal, que se fortalecem quando assumimos a fala daqueles que exercem seus podres poderes, enquanto a nossa gente morre de fome, de raiva ou de sede.  Defendem interesses que desconhecem, crendo na sua relevância bíblico-teólogica, assumindo compromissos contrários ao seu próprio povo, defendendo, direta ou indiretamente, a morte, a tortura, a dor, defendendo aqueles que humilham, exploram, matam, invadem, torturam e ensinam a torturar.  Foi assim nos anos 60 no nosso meio, é assim ainda hoje, porque o nosso senso crítico não se desenvolve ao ponto de podermos notar que tipos de discurso obliteram ainda uma leitura coerente e relevante da Bíblia.  E, assim, em vez de lutar por justiça e pela verdade, em vez de lutar contra o pecado e contra as estruturas de morte, preferimos assumir a submissão (que dizem necessária) aos discursos de destruição, de opressão e de morte.  João Alexandre já denunciava que enquanto o domingo ainda for o nosso dia sagrado, enquanto cantarmos e dançarmos com os olhos fechados, sem percebermos tanta gente que morre de fome e de sede ao nosso lado, não tem jeito.  Por isso, entre os televangelistas e as teologias podres em defesa dos poderosos que estão aí, entre essas coisas e um revolucionário como Che, eu fico com Che.  Hasta la muerte!

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