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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Assisti Diários de Motocicleta hoje à tarde pela primeira vez. Pretendo assistir de novo. Walter Salles foi bem contando a história de Che Guevara em sua viagem pela América Latina em 1952. O filme é bonito. Che é um personagem empolgante. E se eu me digo revolucionário, de certa forma, eu o sigo. E o filme deixa claro como nasceu o maior e mais importante revolucionário da América Latina. Dessa forma, soou de uma nova maneira este texto que postei em 24 de janeiro, contando as últimas palavras de Guevara:

Em 8 de outubro de 1967 o exército boliviano capturou Ernesto Che Guevara. No dia seguinte, ele foi executado de maneira a parecer ter sido morto em combate. A notícia de sua morte foi um baque em todos os latino-americanos que acreditavam em um mundo mais justo e que esse mundo viria através da Revolução. No Brasil, Caetano, Capinam e Gil, ao saberem da notícia, compuseram Soy loco por ti, América.
O tenente-coronel boliviano Andrés Selich interrogou o prisioneiro antes de ser executado:

Comandante, acho que está um pouco deprimido, disse Selich. Pode me explicar os motivos dessa minha impressão?

Eu fracassei, respondeu Che. Está tudo acabado, e esse é o motivo de você me ver nesse estado.

Você é cubano ou argentino?, perguntou Selich.

Sou cubano, argentino, boliviano, peruano, equatoriano, etc. Você entendeu.

O que o fez decidir atuar em nosso país?

Não vê o estado em que vivem os camponeses?, perguntou Che. São quase selvagens, vivendo num estado de pobreza que corta o coração, tendo um único quarto para dormir e cozinhar e nenhuma roupa para vestir, abandonados como animais...

Mas a mesma coisa acontece em Cuba, replicou Selich.

Não, isso não é verdade, reagiu Che. Não nego que haja pobreza em Cuba, mas [pelo menos] os camponeses de lá têm uma ilusão de progresso, enquanto o boliviano vive sem esperança. Assim como nasce, ele morre, sem jamais ver melhorias em sua condição humana.

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