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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Assisti Diários de Motocicleta hoje à tarde pela primeira vez. Pretendo assistir de novo. Walter Salles foi bem contando a história de Che Guevara em sua viagem pela América Latina em 1952. O filme é bonito. Che é um personagem empolgante. E se eu me digo revolucionário, de certa forma, eu o sigo. E o filme deixa claro como nasceu o maior e mais importante revolucionário da América Latina. Dessa forma, soou de uma nova maneira este texto que postei em 24 de janeiro, contando as últimas palavras de Guevara:

Em 8 de outubro de 1967 o exército boliviano capturou Ernesto Che Guevara. No dia seguinte, ele foi executado de maneira a parecer ter sido morto em combate. A notícia de sua morte foi um baque em todos os latino-americanos que acreditavam em um mundo mais justo e que esse mundo viria através da Revolução. No Brasil, Caetano, Capinam e Gil, ao saberem da notícia, compuseram Soy loco por ti, América.
O tenente-coronel boliviano Andrés Selich interrogou o prisioneiro antes de ser executado:

Comandante, acho que está um pouco deprimido, disse Selich. Pode me explicar os motivos dessa minha impressão?

Eu fracassei, respondeu Che. Está tudo acabado, e esse é o motivo de você me ver nesse estado.

Você é cubano ou argentino?, perguntou Selich.

Sou cubano, argentino, boliviano, peruano, equatoriano, etc. Você entendeu.

O que o fez decidir atuar em nosso país?

Não vê o estado em que vivem os camponeses?, perguntou Che. São quase selvagens, vivendo num estado de pobreza que corta o coração, tendo um único quarto para dormir e cozinhar e nenhuma roupa para vestir, abandonados como animais...

Mas a mesma coisa acontece em Cuba, replicou Selich.

Não, isso não é verdade, reagiu Che. Não nego que haja pobreza em Cuba, mas [pelo menos] os camponeses de lá têm uma ilusão de progresso, enquanto o boliviano vive sem esperança. Assim como nasce, ele morre, sem jamais ver melhorias em sua condição humana.

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