Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Não diria que estou admitindo mentir neste blog. Estou admitindo que considero veraz a interpretação que Goffman dá da vida em sociedade. Nós representamos papéis sociais que têm suas próprias fachadas. Nós podemos acreditar nas personagens que encarnamos ou podemos ser cínicos e trapaceiros e, então, manipulamos o que expressamos de nós mesmos.
Isso acontece com maior intensidade no ciberespaço. Representamos neste teatro de nova socialidade. Representamos com mais facilidade porque não temos que expor o nosso rosto e vestir as máscaras se torna mais fácil.
Todos representamos. Todos assumimos papéis na sociedade. Se mentimos, não é exclusividade minha. O problema é que encarnarmos os papéis tão bem que esse se torna o nosso verdadeiro eu. Um eu mediado pelo palco em que atuamos.
Isso faz parte da essência dos blogs, creio eu. Nenhum dos meus leitores têm qualquer condição de verificar se o que digo ou exponho aqui é totalmente real. (Aliás, o que é real na cibercultura?)
Isso não significa que sou insincero. Até onde eu me conheço, eu sou o que exponho aqui. Nem mais, nem menos. Só que eu também sou um ator social. Um ator inserido no ciberespaço. Inserido na comunidade blogueira.
Quer saber mais? Leia Erving Goffman.

Comentários

Postagens mais visitadas