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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Não diria que estou admitindo mentir neste blog. Estou admitindo que considero veraz a interpretação que Goffman dá da vida em sociedade. Nós representamos papéis sociais que têm suas próprias fachadas. Nós podemos acreditar nas personagens que encarnamos ou podemos ser cínicos e trapaceiros e, então, manipulamos o que expressamos de nós mesmos.
Isso acontece com maior intensidade no ciberespaço. Representamos neste teatro de nova socialidade. Representamos com mais facilidade porque não temos que expor o nosso rosto e vestir as máscaras se torna mais fácil.
Todos representamos. Todos assumimos papéis na sociedade. Se mentimos, não é exclusividade minha. O problema é que encarnarmos os papéis tão bem que esse se torna o nosso verdadeiro eu. Um eu mediado pelo palco em que atuamos.
Isso faz parte da essência dos blogs, creio eu. Nenhum dos meus leitores têm qualquer condição de verificar se o que digo ou exponho aqui é totalmente real. (Aliás, o que é real na cibercultura?)
Isso não significa que sou insincero. Até onde eu me conheço, eu sou o que exponho aqui. Nem mais, nem menos. Só que eu também sou um ator social. Um ator inserido no ciberespaço. Inserido na comunidade blogueira.
Quer saber mais? Leia Erving Goffman.

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