Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração.

Eclesiastes 7. 2

Alexandre Tadeu é um dos meus melhores amigos. Ele é um daqueles amigos que podem ficar anos distante de nós mas que tem morada reservada em nossa vida e coração.
Tadeu é um amigo querido. Foi meu vice-presidente, quando presidi o Centro Cívico do Colégio das Neves, dez anos atrás. Junto comigo e Thiago, formava o núcleo do movimento cultural que objetivava mudar o mundo naqueles dias: os Desafinados.
Segunda passada, uma amiga em comum me disse que ele vai ser papai. Sua esposa está grávida de três meses.
Naquela tarde fui ao colégio tratar de assuntos relativos ao clube de xadrez que estamos formando. E soube que Carlão, técnico de basquete masculino do colégio, presidente da Federação Estadual de Basquete, e irmão de Tadeu, havia sofrido um AVC. Na artéria tronco do cérebro. Lembrei do meu amigo. Lembrei da psicóloga que é em grande parte culpada por quem sou hoje, Isabel, psicóloga do Neves, esposa de Carlão.
Sábado soubemos que Carlão havia tido morte cerebral. A família autorizou a doação de todos os órgãos.
Hoje à tarde, Carlão foi sepultado. O ginásio do colégio estava lotado no velório. Ex-alunos, ex-professores, ex-funcionários, amigos, parentes, autoridades, Tadeu e Isabel. Tadeu estava muito abatido. Isabel, muito serena. Serena de maneira profundamente impactante. Suas filhas, chorosas mas tranquilas. Um minuto de aplausos para ele. Os professores de educação física do colégio estavam arrasados.
Hoje à tarde eu lembrei do texto de Eclesiastes. E mais uma vez percebi a verdade dessa reflexão do sábio (ou sábia) de Jerusalém. O lugar da dor do luto é um excelente lugar para refletir acerca da vida humana. Dos limites humanos.

Comentários

Postagens mais visitadas