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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Impressionante como alguns textos não perdem a relevância, mesmo que passem os anos. A representação do eu na vida cotidiana, de Erving Goffman, é dos anos 50. É fascinante. Estou lendo para a minha dissertação. Sugestão de Susana e Adriano. As noções da vida social como vida de encenação tem tudo a ver com o que fazemos nos nossos blogs. Aliás, Goffman esclarece que a vida em sociedade se estabelece nessas dramatizações. Somos atores. Usamos máscaras. Assumimos papéis. Mas é claro, pelo menos para mim, que quando estamos no ciberespaço essa dissimulação ganha enorme magnitude. É ainda mais fácil (e necessário) trapacear por aqui. Esse ponto é importante na hora de definir o que sejam blogs.

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