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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Não tenho o privilégio de ser assinante da Fox, desejo que acalento no coração desde os tempos do Arquivo X e das outras criações de Chris Carter. Por isso, nunca havia ouvido falar em 24 horas antes de a Globo se arriscar a exibir o primeiro ano da série em janeiro.
Perdi momentos de sono pela série que me cativou como público e como alguém que, por prazer e diletantismo, gosta de tecer suas análises provisórias e amadoras dos fenômenos midiáticos. Adorei pensar sobre 24 horas, me apaixonei pela série e descobri o seu charme. Fiquei feliz ao ver que a Globo exibiria o seu segundo ano.
Fiquei decepcionado. A Globo conseguiu matar o charme da série. A estréia ontem à noite apontou o fiasco que será sua continuação se a equipe de produção da tevê dos Marinho não fizer alguma coisa. Condensar dois episódios em um, de uma série que atrai pelo tempo real, foi extremamente desfigurador. 24 horas perdeu brilho, ritmo, coerência e narrativa.
Isso foi um choque. Lembro de ter visto matérias elogiosas da série no site da AOL, na Veja, em vários jornais e revistas. Mas a série só vai valer a pena ser vista na Fox, se a Globo continuar no formato que exibiu ontem. E a Globo vai perder a audiência amealhada nas férias do Jô e vai terminar sem exibir a terceira temporada, pela falta de retorno. Problema da série? Problemas dos fãs? Não. Problema da necessidade de corte e ajuste da televisão do Jardim Botânico. Prazo de validade vencido.
Eu tenho uma tese. Por pelo menos uma semana eu não vi mais as chamadas de 24 horas. Comecei a achar que a série havia sido abortada. Até a quarta passada. Suponho que houve algum problema com a grade da emissora que foi resolvido com os cortes do filme de Kiefer Sutherland. Se não houver mudança, não vou perder horas preciosas de sono dos domingos para assistir a Globo. E aposto que muitos me acompanharão. A série ficou sem graça.

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