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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
E, por fim, duas poesias para marcar a minha volta:

1.
O belo
inatingível
inalcançável
com quem me enfrento
com quem de frente
com o quê na mente
me encanto.

Apenas a simples
presença de teus olhos
tantos tontos
sorriso fácil
como a poesia simples
da beleza rara
de você,
mulher.

A poesia-mulher
da beleza amada
de forma rápida, simples, singela,
como esvoaçam dourados
cabelos e sonhos.


2.
Deus,
eu te peço,
dê-me um amor
para eu cuidar
e que de mim
cuide tão bem

que possa
me amar
mesmo em
momentos
em que de mim
o amor não vem

a quem eu possa abençoar
e que assim me abençoe
também.

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