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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Concluo algumas coisas a partir da minha experiências nesses dias em Paripueira. Lembro do profeta Habacuque, no início do segundo capítulo de seu livro (Hc 2. 1), se pondo na torre de vigia, esperando por ouvir a Palavra do Senhor, ver a Sua ação, enquanto busca o discernimento da realidade que está vivendo. E reflito.
Pensar teologia da perspectiva do Nordeste brasileiro é mesclar o pensar grande e o pensar pequeno. Pensar a teologia da perspectiva do Nordeste é articulála como um discurso de resposta aos questionamentos que brotam do sólo do sertão. Questionamentos que nascem da terra seca, que renascem e se reinterpretam no coração carente do povo nordestino.
Isso é o que eu chamo pensar pequeno, porque é pensar em uma dimensão micro, localizada.
Mas pensar a teologia da perspectiva do Nordeste é realizarse como uma teologia a caminho, que só se justifica quando é plenamente uma teologia de missão. Uma teologia pensada na, para e pela igreja popular que caminha e vive nas fronteiras de expansão do Reino de Deus. Que pensa e articula sua fé, ao mesmo tempo que, indo, faz discípulos de todas as nações, ensinando-os a guardar toda mensagem do Reino, inserindo os novos em suas fileiras. Sem restrições, sem bloqueios, sem preconceitos, xenofobias ou etnocentrismo. Na força e no espírito de Mt 28. 18 20.
Isso é pensar grande, pensar macro, ao se ajustar a toda tradição teológica que afirma a necessidade de a teologia ser pensada para ser católica e servir à edificação do Corpo de Cristo em todo o mundo.
Firmada aos pés dos apóstolos pela mediação do testemunho das Escrituras, atenta e respondendo à cultura e à realidade do Nordeste: eis a teologia que nos faz, no Brasil, Igreja Viva.

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