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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
[Ainda no Rio] Os dias correndo e as notícias chegando, nada esperançosas. Eu, agulha no palheiro da cidade grande, rumo incerto, "olhando de lado" e sabendo: voltar agora não seria jamais "uma forma de renascer". Lembrando Gide: "Ensina-me os caminhos de ir". Amigos presos, amigos mortos - nos enfrentamentos de rua ou nas masmorras da Ditadura. Cartazes em toda parte: "Procura-se". Muitos rostos conhecidos e eu me sentindo um deles.
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[Após a fulga para o Uruguai, para onde foi disfarçado de torcedor do Palmeiras, encontra-se com Djalma Maranhão em um café em Montevidéu e pede-lhe ajuda] Na verdade, Djalma Maranhão queria ficar a sós comigo. Era um conterrâneo que chegava, era um pedaço de Natal, um naco de carne de sol, uma mochila de feijão verde, um litro de água do mar da Redinha. E disso é que Djalma precisava naquela cidade fria e cinzenta de Montevidéu. O ex-prefeito me levou com ele até uma pequena casa de câmbio, onde defendia alguns trocados "para ajudar no aluguel". Também fazia distribuição de jornais, como forma de auxiliar nas despesas. Ou seja: eram grandes as dificuldades econômicas por que passava o implantador do revolucionário método "De pés no chão também se aprende a ler".

Djalma Maranhão era o prefeito de Natal à época do Golpe. Seu governo formava-se a partir de uma aliança de forças populares e de esquerda. Foi enxotado do Palácio Felipe Camarão (sede do executivo municipal), na noite do dia 1º de abril de 1964, aos gritos de "Acabou a baderna! Pra fora, bando de comunistas filhos da *". Morreu no exílio uruguaio, de saudades de sua terra, segundo meu pai.
No início dos anos 60, Paulo Freire escolheu o Rio Grande do Norte para implantar o método "De pé no chão também se aprende a ler". Além de Natal, o método foi implantado também em Angicos, no interior do estado. Paulo Freire é o pai da Pedagogia do Oprimido, que mudou radicalmente as concepções de educação, não só no Brasil.

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