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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Os estudos na área da lingüística, estou cada vez mais convencido, são capazes de nos trazer uma consciência menos ingênua sobre o uso e o funcionamento da linguagem. A nível social isso significa capacidade crítica mais acentuada para a resistência contra a poderosa insinuação ideológica da parte dos detentores do poder econômico. Estudar os discursos e como se estruturam em textos, com suas condições e intencionalidades, se torna elemento indispensável para a compreensão de fatos do dia a dia e de ações corriqueiras da mídia, dos governos e daqueles que contam a História e fazem as histórias.
Além disso, perceber que os sujeitos são limitados por seus contextos naquilo que pensam, produzem e em suas ações, sendo assim sujeitos sociais condicionados a discursos e ideologias, sendo falados por inúmeras vozes, tem de gerar em mim um único sentimento: a humildade. Não sou original. Não falo de mim. Reproduzo. Ecoou. Outros falam por mim o tempo todo.
Será que diante disso não restaria ao ser humano recorrer a Deus a fim de ser alguém? Descobrir que a única garantia de se ser humano é se lançando nos braços do Criador?

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