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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Adriano suscitou uma discussão interessante em seu blog sobre a questão do voluntariado, em particular o projeto Amigos da Escola, da Fundação Roberto Marinho. Diante das opiniões dele e de alguns comentadores, eu me expressei assim:
A questão é muito clara. O voluntariado no primeiro mundo atende a interesses diferentes do voluntariado em países como o Brasil. No Brasil os voluntários servem de inocente útil para mascarar a falta de compromisso e de ação dos governos, do poder público. O raciocínio é simples: para que gastar com um investimento em salário e infra-estrutura se eu posso ter um voluntário capacitado que pode me dar o serviço a custo zero. Aí, a sociedade civil executa tarefa obrigatória do Estado, que mantém fora do mercado profissionais que poderiam ser aproveitados.
No primeiro mundo, onde as condições de emprego, distribuição de renda e equilíbrio social são mais satisfatórios, o voluntariado significa tão somente o envolvimento da sociedade civil na efetivação de políticas públicas. Os voluntários tornam mais real o sentido do público, porque o Estado não se omite de suas obrigações. O voluntariado deve cuidar do, digamos, extra e não do essencial. O essencial, aqui ou lá, precisa ser tarefa do poder público. O voluntariado não pode ser desculpa (ou legitimação) para omissão.


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