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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Adriano suscitou uma discussão interessante em seu blog sobre a questão do voluntariado, em particular o projeto Amigos da Escola, da Fundação Roberto Marinho. Diante das opiniões dele e de alguns comentadores, eu me expressei assim:
A questão é muito clara. O voluntariado no primeiro mundo atende a interesses diferentes do voluntariado em países como o Brasil. No Brasil os voluntários servem de inocente útil para mascarar a falta de compromisso e de ação dos governos, do poder público. O raciocínio é simples: para que gastar com um investimento em salário e infra-estrutura se eu posso ter um voluntário capacitado que pode me dar o serviço a custo zero. Aí, a sociedade civil executa tarefa obrigatória do Estado, que mantém fora do mercado profissionais que poderiam ser aproveitados.
No primeiro mundo, onde as condições de emprego, distribuição de renda e equilíbrio social são mais satisfatórios, o voluntariado significa tão somente o envolvimento da sociedade civil na efetivação de políticas públicas. Os voluntários tornam mais real o sentido do público, porque o Estado não se omite de suas obrigações. O voluntariado deve cuidar do, digamos, extra e não do essencial. O essencial, aqui ou lá, precisa ser tarefa do poder público. O voluntariado não pode ser desculpa (ou legitimação) para omissão.


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