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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Um processo revolucionário, para mim, deve ser holístico. Não deve começar em uma dimensão, ou privilegiá-la. Precisa, para alcançar sucesso, ser promovido em cada dimensão da vida humana de maneira concomitante.
Devo me importar em revolucionar minha própria vida de dentro. Devo me importar em amar mais, em ser mais sincero, em ser mais eu, em ser mais crítico, em ser mais honesto. Enfim, em trazer mais dentro de mim o potencial explosivo e revolucionário do impacto de meu amor, minhas mudanças, minha vida, minhas relações.
A revolução acontece a nível de relações, fazendo com que elas cada vez mais valham a pena e fazendo com que os ideais de transformações, pessoais e sociais, contagiem e contaminem cada um com quem converso, a quem amo e a quem faço ver que vale a pena.
Ao mesmo tempo, as estruturas opressivas e demoníacas de nossa sociedade, que tantas vezes lutamos por preservar, precisam ser questionadas, criticadas, desafiadas, postas em xeque. Precisam mesmo ser afrontadas. Com a Bíblia na mão e a indignação profética que ali está expressa contra toda sorte de injustiça e opressão. Com o discurso do amor que, como embaixadores da reconciliação, carregamos, potência transformadora de tudo.
Como último recurso, acredito que vale qualquer coisa para se preservar o amor, a justiça e a verdade em mim, nas minhas relações e na sociedade. Esses princípios, bíblicos, de organização social e de vida pessoal, precisam ser inegociáveis. Sempre.

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