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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Um leitor publicou uma carta em O Poti desde domingo em que afirma, entre outras coisas, que a prisão de Saddam Hussein põe fim a uma era, ao regime de terror que ele promoveu no Iraque.
Discordo veementemente desse ponto de vista. O fim do regime ditatorial iraquiano só seria real se, e somente se, aqueles o financiaram, treinaram e mantiveram ali por longos anos também pudessem ser punidos.
Quem foram? Os mesmos americanos republicanos que hoje posam de enviados de Deus para promover a libertação do povo do Iraque. Já são famosas as imagens de Donald Rumsfeld, então alto funcionário do Governo Reagan, indo a Bagdá acertar com o mesmo Saddam, que hoje é a reencarnação de algum nazista, o apoio, treinamento e financiamento na guerra de oito anos contra o Irã dos aitolás.
O mesmo grupo de falcões que hoje comanda os destinos da Casa Branca era o grupo que dava sustentação às barbaridades de Saddam. O mesmo grupo vendeu as armas químicas que ele usou para matar os duzentos mil curdos que se opunham ao seu governo. Inclusive, tendo a CIA auxiliado nas operações que culminaram com o genocídio.
Bazófia é acreditar que essa história acaba assim. Por que Saddam é prisioneiro de guerra? Porque assim não pode conceder entrevistas, não pode ser visto e poupa Washington do vexame de ser exposta mais um pouco das sujeiras que cometeram em todo o mundo. Inclusive no Brasil.

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