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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Um leitor publicou uma carta em O Poti desde domingo em que afirma, entre outras coisas, que a prisão de Saddam Hussein põe fim a uma era, ao regime de terror que ele promoveu no Iraque.
Discordo veementemente desse ponto de vista. O fim do regime ditatorial iraquiano só seria real se, e somente se, aqueles o financiaram, treinaram e mantiveram ali por longos anos também pudessem ser punidos.
Quem foram? Os mesmos americanos republicanos que hoje posam de enviados de Deus para promover a libertação do povo do Iraque. Já são famosas as imagens de Donald Rumsfeld, então alto funcionário do Governo Reagan, indo a Bagdá acertar com o mesmo Saddam, que hoje é a reencarnação de algum nazista, o apoio, treinamento e financiamento na guerra de oito anos contra o Irã dos aitolás.
O mesmo grupo de falcões que hoje comanda os destinos da Casa Branca era o grupo que dava sustentação às barbaridades de Saddam. O mesmo grupo vendeu as armas químicas que ele usou para matar os duzentos mil curdos que se opunham ao seu governo. Inclusive, tendo a CIA auxiliado nas operações que culminaram com o genocídio.
Bazófia é acreditar que essa história acaba assim. Por que Saddam é prisioneiro de guerra? Porque assim não pode conceder entrevistas, não pode ser visto e poupa Washington do vexame de ser exposta mais um pouco das sujeiras que cometeram em todo o mundo. Inclusive no Brasil.

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