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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Saudades de algumas pessoas queridas. Saudades de Hadassa, colega de seminário de quem não tive mais notícias. Já deve ser hoje pastora em algum lugar no Amazonas. Menininha pequenina, um doce de pessoa profundamente arguta, inteligente, sensível e capacitada para o ministério. Mais que amiga de todos nós, cuidava pessoalmente de cada um. Como filhos, mesmo que tivéssemos mais ou menos a sua idade.
Uma vez adoeci. E quando todos foram para as suas igrejas no domingo à noite, Hadassa batia à minha porta para ver como estava, para me trazer chá, cuidava de mim.
Certa vez, vivemos uma experiência juntos ao tentarmos (sem sucesso) ir assistir a uma peça. O ônibus que íamos pegar no terminal do Parangaba atrasou mais de uma hora devido a um assalto sofrido. Impacientes, em pé na fila, meu ciático doeu como nunca (e isso não qualquer figura de linguagem - é a mais pura verdade). Mas a comédia estava reservada por um trio de homossexuais atrás de nós na fila. Eles me paqueravam (sem que eu notasse), fuzilando Hadassa com seus olhares ferozes. Ela, me defendendo, se punha ainda mais perto. Parecendo ainda mais namorada. Não, não a namorei.

Não, não sou gay.

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