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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Saudades de algumas pessoas queridas. Saudades de Hadassa, colega de seminário de quem não tive mais notícias. Já deve ser hoje pastora em algum lugar no Amazonas. Menininha pequenina, um doce de pessoa profundamente arguta, inteligente, sensível e capacitada para o ministério. Mais que amiga de todos nós, cuidava pessoalmente de cada um. Como filhos, mesmo que tivéssemos mais ou menos a sua idade.
Uma vez adoeci. E quando todos foram para as suas igrejas no domingo à noite, Hadassa batia à minha porta para ver como estava, para me trazer chá, cuidava de mim.
Certa vez, vivemos uma experiência juntos ao tentarmos (sem sucesso) ir assistir a uma peça. O ônibus que íamos pegar no terminal do Parangaba atrasou mais de uma hora devido a um assalto sofrido. Impacientes, em pé na fila, meu ciático doeu como nunca (e isso não qualquer figura de linguagem - é a mais pura verdade). Mas a comédia estava reservada por um trio de homossexuais atrás de nós na fila. Eles me paqueravam (sem que eu notasse), fuzilando Hadassa com seus olhares ferozes. Ela, me defendendo, se punha ainda mais perto. Parecendo ainda mais namorada. Não, não a namorei.

Não, não sou gay.

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