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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Quando Psiquê tenta perceber Eros, diz o mito, ele desaparece. Mais uma vez hoje voltei a pensar nisso. Mais uma vez e talvez tenha concluído que este seja exatamente o meu tipo de problema.
Há tempos me questiono acerca da minha incapacidade de me apaixonar de novo (eu não consigo me apaixonar!). E hoje pensei nos meus últimos amores. Percebi, em cada um deles, uma tendência gradual e irrestível de Psiquê tomar os espaços de Eros dentro de mim. Pouco a pouco, experiência a experiência, fui racionalizando mais os meus sentimentos. Ao ponto de que se agora busco Eros em mim... onde ele está?
O choque do relacionamento com Raquel há dois anos ainda reverbera aqui dentro de mim. A partir dessa experiência, acreditei que amadurecer seria se tornar mais racional. Acreditei tão fortemente nisso que passou a ser a mais pura realidade de minhas emoções.
Quando namorei Priscila não fui movido por qualquer rastro de Eros, mas sim pela racionalização daquela situação. Os meses passaram e isso foi se tornando mais real, ainda que não tão evidente. Foi preciso romper mais esse relacionamento para perceber a grandeza do fato: não estou conseguindo me apaixonar de novo.
Veja, isso não significa que não posso me envolver, que não posso me interessar, que não posso paquerar. Não é isso. Mas Eros anda longe do meu centro de decisões. Não me apaixono, não me entrego, não vivo o amor. Isso, vocês já perceberam, me tem deixado perturbado.

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