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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Quando Psiquê tenta perceber Eros, diz o mito, ele desaparece. Mais uma vez hoje voltei a pensar nisso. Mais uma vez e talvez tenha concluído que este seja exatamente o meu tipo de problema.
Há tempos me questiono acerca da minha incapacidade de me apaixonar de novo (eu não consigo me apaixonar!). E hoje pensei nos meus últimos amores. Percebi, em cada um deles, uma tendência gradual e irrestível de Psiquê tomar os espaços de Eros dentro de mim. Pouco a pouco, experiência a experiência, fui racionalizando mais os meus sentimentos. Ao ponto de que se agora busco Eros em mim... onde ele está?
O choque do relacionamento com Raquel há dois anos ainda reverbera aqui dentro de mim. A partir dessa experiência, acreditei que amadurecer seria se tornar mais racional. Acreditei tão fortemente nisso que passou a ser a mais pura realidade de minhas emoções.
Quando namorei Priscila não fui movido por qualquer rastro de Eros, mas sim pela racionalização daquela situação. Os meses passaram e isso foi se tornando mais real, ainda que não tão evidente. Foi preciso romper mais esse relacionamento para perceber a grandeza do fato: não estou conseguindo me apaixonar de novo.
Veja, isso não significa que não posso me envolver, que não posso me interessar, que não posso paquerar. Não é isso. Mas Eros anda longe do meu centro de decisões. Não me apaixono, não me entrego, não vivo o amor. Isso, vocês já perceberam, me tem deixado perturbado.

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