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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Quando eu era criança (garanto que é difícil falar uma frase assim - às vezes não pareço ter consciência da idade que tenho), não conseguia perceber o tamanho e valor do sacrifício que minha família fazia para que eu estudasse. Pensei nisso nesses dias. Se não fôra o enorme sacríficio pessoal que minha tia e minha mãe fizeram para eu estudar em uma das melhores escolas dessa cidade - o Colégio das Neves - estou certo de que minha vida seria outra. Destinado à escola pública, falida em nossa terra, não teria tido a chance que tive de entrar em uma universidade, concluir o curso superior e tentar ingressar no mestrado. Não seria jornalista. Não teria a condição de aprender a viver como aprendi. Que profissão seria a minha, não sei. Mas se hoje as chances no mercado ainda são poucas para mim, imagino como seriam se não fosse a luta de minha família por meus estudos.

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