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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Quando eu era criança (garanto que é difícil falar uma frase assim - às vezes não pareço ter consciência da idade que tenho), não conseguia perceber o tamanho e valor do sacrifício que minha família fazia para que eu estudasse. Pensei nisso nesses dias. Se não fôra o enorme sacríficio pessoal que minha tia e minha mãe fizeram para eu estudar em uma das melhores escolas dessa cidade - o Colégio das Neves - estou certo de que minha vida seria outra. Destinado à escola pública, falida em nossa terra, não teria tido a chance que tive de entrar em uma universidade, concluir o curso superior e tentar ingressar no mestrado. Não seria jornalista. Não teria a condição de aprender a viver como aprendi. Que profissão seria a minha, não sei. Mas se hoje as chances no mercado ainda são poucas para mim, imagino como seriam se não fosse a luta de minha família por meus estudos.

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