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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Hoje à tarde fui me consultar em um ortopedista e vivenciei uma experiência que me fez lembrar Adriano. Uma hora de atraso na chegada do médico me fez desistir da consulta e remarcá-la para quinta-feira. Como o atendimento não era também com hora marcada mas sim por ordem de chegada, eu ainda esperaria pelo menos mais uma hora até ser atendido.
Se em uma consulta paga pela UNIMED o tal médico se comporta dessa maneira, fiquei pensando em como não deve ser uma consulta sua pelo SUS. Acho que minha fala já trás a resposta: não deve ser.

Quando namorava Raquel dependemos uma vez do SUS para uma necessidade médica dela. Saímos de casa em uma manhã antes das cinco horas. Fomos para o posto médico da Praça José de Alencar, no centro de Fortaleza. E entramos em uma fila de já razóavel tamanho.
Ao subirmos para o atendimento, resolvemos constatar qual o tempo médio de consulta para aquele médico. Não chegava a três minutos e, com alguns pacientes, atingia o recorde de um minuto e dez segundos.
Raquel, coitada, nem teve o privilégio de ser olhada pelo médico, que ouviu sua descrição do problema, receitou exames, fisioterapia e remédio, sem, ao menos, levantar os olhos dos papéis que olhava.

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