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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
A foto que é a minha nova imagem de exibição foi premiada hoje no World Press Photo 2003. Ela foi feita por Jean-Marc Bouju, para a Associated Press. Testemunha um pai iraquiano, prisioneiro em um campo de Najaf, acalentando seu filho. Testemunha a crueldade da guerra de uma forma profunda. E me fez lembrar da velha canção dos Paralamas, do tempo em que uma outra guerra, envolvendo o Iraque, perturbava o mundo:

Teerã
(Bi Ribeiro, João Barone e Herbert Vianna)

Por quanto tempo ainda vamos ver
Fotografias pela manhã
Imagens de dor
Lições do passado
recentes demais para esquecer
E o futuro o que trará
Para as crianças em Teerã
Brincar de soldados por entre os escombros
Os corpos deitados não fingem mais
E as marcas de sangue no chão são lembranças difíceis de apagar
Será que existe razão pra viver
Em Teerã
Por quanto tempo ainda vamos ver
Nas noites frias e nas manhãs
Imagens de dor
em rostos marcados
Pequenos demais para se defender
E o futuro o que trará
se essas crianças vão sempre estar
pedindo trocados pros vidros fechados
sentando no asfalto sem perceber
que as marcas de sangue no chão são lembranças difíceis de apagar
Será que existe razão pra viver em Teerã

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