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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
A foto que é a minha nova imagem de exibição foi premiada hoje no World Press Photo 2003. Ela foi feita por Jean-Marc Bouju, para a Associated Press. Testemunha um pai iraquiano, prisioneiro em um campo de Najaf, acalentando seu filho. Testemunha a crueldade da guerra de uma forma profunda. E me fez lembrar da velha canção dos Paralamas, do tempo em que uma outra guerra, envolvendo o Iraque, perturbava o mundo:

Teerã
(Bi Ribeiro, João Barone e Herbert Vianna)

Por quanto tempo ainda vamos ver
Fotografias pela manhã
Imagens de dor
Lições do passado
recentes demais para esquecer
E o futuro o que trará
Para as crianças em Teerã
Brincar de soldados por entre os escombros
Os corpos deitados não fingem mais
E as marcas de sangue no chão são lembranças difíceis de apagar
Será que existe razão pra viver
Em Teerã
Por quanto tempo ainda vamos ver
Nas noites frias e nas manhãs
Imagens de dor
em rostos marcados
Pequenos demais para se defender
E o futuro o que trará
se essas crianças vão sempre estar
pedindo trocados pros vidros fechados
sentando no asfalto sem perceber
que as marcas de sangue no chão são lembranças difíceis de apagar
Será que existe razão pra viver em Teerã

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