Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Parece que tenho me ouvido pouco. Digo isso porque já me senti, um dia, como um exilado, ainda que estivesse em minha casa, minha cidade, minha família, meu povo. Esse era justamente o problema. Talvez pela terrível inadaptabilidade de um cidadão do mundo, o sentimento do exílio se relacionava diretamente ao fato de ter voltado para minha velha casa. O meu lugar era outro, era Fortaleza, era minha vida livre e independente.
Eu julguei que havia me curado disso ao longo de todo um ano como foi o de 2003. Mas agora me flagro falando, sentindo e vivendo a saudade. Saudade de pessoas caras que sumiram da vida é sentimento de exilado. Ainda que esteja reconstruindo minhas relações, estou programado pelo sentimento de alguém exilado de meus próprios sentimentos, emoções e relacionamentos. Talvez esteja descobrindo que a caminhada ainda é difícil.
Ou quem sabe é tudo muito simples e eu não precisaria mais me preocupar em ser um exilado. Na verdade, essa seria minha essência. Apesar de todo amor e toda a vida que dedico às relações, as saudades e o exílio (perda) dos amigos e amores são inescapáveis para mim.
Enfim, se estou conseguindo ouvir algo do que digo é que sou um exilado dos meus amores. Pelo menos por enquanto.

Comentários

Postagens mais visitadas