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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Já tive oportunidade aqui de escrever sobre as semelhanças que encontro entre o Rock e aquilo que penso ser o chamado da Igreja. Acho que tudo se resume na frase abaixo dita ontem pelo meu pastor. A convergência entre o rock e a igreja deve se situar no âmbito da crítica. Ambos precisam ter espírito crítico. Precisam ter visão de mundo que procure desfazer as camadas de farsa ideológica que se interpõem entre nós e a realidade. Ambos precisam buscar ver a realidade de maneira mais translúcida.
A Igreja e o rock têm um crítico ministério profético em comum: denunciar as mazelas, as corrupções, as distorções, as ideologias de morte que nos cercam e nos submetem no mundo. Se eles não carregam em si este anúncio denunciador (ainda que a música também tente se libertar do aspecto espiritual) falham com a essência do que são. Mesmo quando a música denuncia o cristianismo ela converge para o bem dele por ajudá-lo na tarefa de se auto-criticar e corrigir.
Não nego as distinções e mesmo as diferenças de vocação, especialmente quando vemos que o chamado da Igreja é muito mais positivo no que se refere a anunciar a vida, morte e ressurreição de Jesus por puro amor. Mas diante das convergências e dos pontos comuns de construção de sentidos e de vida, penso que Igreja e rock são irmãos gêmeos na caminhada pela construção de um mundo melhor e pela transformação deste mundo mal.

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