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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Em Natal aconteceu no reveillon o Festival Gospel da Virada. Presença de várias bandas, o forró de Os cabras de Cristo. Tudo muito bom, até que antes de ter início o show de Carlinhos Félix, o evento se tornou comício em prol das candidaturas de dois políticos evangélicos da cidade. Diante dos descarados pedidos por votos me senti abusado e desrespeitado. Como público do evento, como cristão evangélico, como eleitor. Acredito ser uma atitude anti-ética se valer de um momento de festa da comunidade para se fazer discursos político-eleitoriais. O meu voto esses dois jamais terão. Nem o daqueles que os vaiaram.

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