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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
A tarde desta segunda foi uma enorme experiência frustrante. Fomos assistir, uma turma de quinze, O retorno do Rei. Esgotado. Todas as sessões possíveis. E aí era impossível assistir qualquer outro filme porque tínhamos ali uma meninada. Boa parte do pessoal tinha menos de quatorze anos. Ficamos irritantemente rodando naquele shopping.
Para completar, fomos à casa de uma amiga. Lá, conversas fúteis, julgamentos acerca de situações e pessoas que lhes eram desconhecidas. Aumento da sensação de frustração.
Voltei para casa com Matheus. Aí foi a hora do pai dele me pôr em uma sinuca de bico expondo seus sentimentos e pensamentos sobre a Igreja. Enfim, quando cheguei em casa à meia noite tinha a sensação que esse havia sido um dia que não era necessário.

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