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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Segunda-feira o curso de Comunicação Social comemorou quarenta anos. Festa bonita.
Logo que cheguei, Adriano me disse que minha irmã Yasmine estava lá. Pesou para mim. Faz quatro anos e meio que a gente não se fala.
Pesou a saudade. Pesou a frustração. Pesou a admiração pela bela mulher que ela é. Pesou a vontade de correr, abraçá-la e resolver, sepultar nossos problemas.
Apesar disso temi que Adriano tomasse alguma atitude para nos reaproximar naquele momento. Fingi que não a vi. E mais uma vez adiei esse reencontro, para mim tão importante.

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