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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
O projeto da redução da maioridade penal, solução pirotécnica fácil, foi apresentado pelo Senador Magno Malta, lamentavelmente um evangélico.
Em vez de querer se promover às custas da exposição pública do caso, Malta poderia pensar na promoção de ações mais efetivas para reduzir as nossas desigualdades nacionais, assassinas violentas. Formas mais concretas de diminuir os índices de criminalidade.
No fato do casal da Shell assassinado no Rio, cujos filhos são suspeitos, o discurso da mídia somente reforça que o centro da questão é bem outro. Em que Champinha é diferente daquelas crianças? No dinheiro e na nacionalidade. Por isso as discussões que eles levarão à mídia se referirão à desestrutura da família, a falta de moralidade. Jamais essas crianças serão exploradas nas discussões sobre penas e violência.
A questão no caso é outra: é social e econômica. O pobre e preto é sempre criminoso nas estruturas mentais e sociais que ainda mantemos. Do mesmo modo, crianças ricas e norte-americanas são vítimas da sociedade. Vítimas são preservadas do constragimento de serem acusadas pela mídia.
Champinha nasceu em um lugar pobre do Brasil. Não terá o direito de que ninguém se preocupe com ele. Jamais será vítima, apenas criminoso. Mortal.

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