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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
O projeto da redução da maioridade penal, solução pirotécnica fácil, foi apresentado pelo Senador Magno Malta, lamentavelmente um evangélico.
Em vez de querer se promover às custas da exposição pública do caso, Malta poderia pensar na promoção de ações mais efetivas para reduzir as nossas desigualdades nacionais, assassinas violentas. Formas mais concretas de diminuir os índices de criminalidade.
No fato do casal da Shell assassinado no Rio, cujos filhos são suspeitos, o discurso da mídia somente reforça que o centro da questão é bem outro. Em que Champinha é diferente daquelas crianças? No dinheiro e na nacionalidade. Por isso as discussões que eles levarão à mídia se referirão à desestrutura da família, a falta de moralidade. Jamais essas crianças serão exploradas nas discussões sobre penas e violência.
A questão no caso é outra: é social e econômica. O pobre e preto é sempre criminoso nas estruturas mentais e sociais que ainda mantemos. Do mesmo modo, crianças ricas e norte-americanas são vítimas da sociedade. Vítimas são preservadas do constragimento de serem acusadas pela mídia.
Champinha nasceu em um lugar pobre do Brasil. Não terá o direito de que ninguém se preocupe com ele. Jamais será vítima, apenas criminoso. Mortal.

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