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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
O fundamentalismo religioso escraviza, cega, aliena, corrompe e mata. E ultimamente tenho visto isso acontecer de perto.
O fundamentalismo não ama, como experimentou Marco nesses dias. O estreitamento intelectual de Gabi é radical e dá pena.
Na minha igreja temos um casal a tal ponto fundamentalista que acredita que o único livro que deve e precisa ser lido é a Bíblia. E eles são bem instruídos. O marido é um alto oficial da PM do estado, mas está criando os três filhos como fanáticos irracionais. A situação desses adolescentes é preocupante para mim, já que fanáticos não pensam nem amam.
O fundamentalista se acha o dono da verdade. Russel Shedd, em entrevista ao Jornal União, me decepcionou com sua mentalidade tacanha e radicalismo torpe. Afirmou a literalidade monossemântica do texto bíblico. A função do pregador é descobrir O sentido do texto, aquele que era a intenção do autor. Isso é impossível. O estreitamento semântico do texto bíblico atende aos interesses da tradição fundamentalista, tornando esta visão a única detentora do sentido correto da vida e do mundo.
O texto escrito é polissêmico. A coerência de uma leitura não pode incapacitar outras leituras possíveis. Manter a polissemia do texto é fundamental. Descobrir a intenção do autor só é possível, no caso da Bíblia, em uma virtual sessão espírita. Temos diante de nós o texto e somente o texto em sua polissemia.
O fundamentalismo mata. Mata quando nos limita intelectualmente. Mata literalmente também. O fundamentalismo cristão é uma das correntes teológicas mais intimamente vinculada à Ideologia da dominação neoliberal e norte-americana.
Ele tenta uma justificativa (e apóia), dessa maneira, a noite escura que se abateu na América Latina nos anos 70. Entregou irmãos à tortura e morte. Por fim, justificou, com argumentos religiosos, a Guerra de Bush.
O fundamentalismo mata e justifica a morte.

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