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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Li hoje na revista Eclésia do último mês a notícia da morte de Kenneth Hagin aos 86 anos de idade. E pensei que deve ser verdade o que dizem: para ser bom, basta morrer.
Kenneth Hagin foi o criador da funesta Teologia da Prosperidade. A mesma que colocou na cabeça de muitos evangélicos que em vez de servos (isto é, escravos) de Deus, eles agora podiam ser senhores, decretando, desafiando, colocando Deus contra a parede. Hagin afirmava o poder da fé da fé. A confissão positiva, a fé pela fé, gerou grandes distorções na fauna evangélica no Brasil e no mundo. Crentes que se acham superpoderosos. Que acreditam que o filho de Deus deve ser rico, que pobreza, doença e problemas são sinais da maldição de Deus ou da presença de Satanás na vida do cristão.
Mas o problema dessa teologia mais visível na sociedade se mostra na crítica generalizada a igrejas como a Universal. É a exploração financeira da boa fé alheia. É a alienação e o aprisionamento intelectual e espiritual que essa teologia e essas igrejas provocam. A Teologia da Prosperidade é altamente rentável para as igrejas que a aplicam, mas amplamente destrutiva para os fiéis que se deixam seduzir por ela.
Para eles, tudo é questão de fé. Se o crente passa por aperto financeiro, se Deus não o cura de enfermidades, se as coisas não vão bem, o problema é a falta de fé. Por isso, você deve, como senhor, decretar aquilo que deseja que Deus (seu servo, assim) realize.
Basta morrer para ser bom. A matéria da Época foi altamente laudatória à obra de Hagin. Fortes indícios de ter sido encomendada a dinheiro pelo Ministério Verbo da Vida. A revista já foi bem mais crítica em relação a essas bobagens e posturas. É uma pena, mas o amoroso Deus das Revoluções está vendo.

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