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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Li hoje na revista Eclésia do último mês a notícia da morte de Kenneth Hagin aos 86 anos de idade. E pensei que deve ser verdade o que dizem: para ser bom, basta morrer.
Kenneth Hagin foi o criador da funesta Teologia da Prosperidade. A mesma que colocou na cabeça de muitos evangélicos que em vez de servos (isto é, escravos) de Deus, eles agora podiam ser senhores, decretando, desafiando, colocando Deus contra a parede. Hagin afirmava o poder da fé da fé. A confissão positiva, a fé pela fé, gerou grandes distorções na fauna evangélica no Brasil e no mundo. Crentes que se acham superpoderosos. Que acreditam que o filho de Deus deve ser rico, que pobreza, doença e problemas são sinais da maldição de Deus ou da presença de Satanás na vida do cristão.
Mas o problema dessa teologia mais visível na sociedade se mostra na crítica generalizada a igrejas como a Universal. É a exploração financeira da boa fé alheia. É a alienação e o aprisionamento intelectual e espiritual que essa teologia e essas igrejas provocam. A Teologia da Prosperidade é altamente rentável para as igrejas que a aplicam, mas amplamente destrutiva para os fiéis que se deixam seduzir por ela.
Para eles, tudo é questão de fé. Se o crente passa por aperto financeiro, se Deus não o cura de enfermidades, se as coisas não vão bem, o problema é a falta de fé. Por isso, você deve, como senhor, decretar aquilo que deseja que Deus (seu servo, assim) realize.
Basta morrer para ser bom. A matéria da Época foi altamente laudatória à obra de Hagin. Fortes indícios de ter sido encomendada a dinheiro pelo Ministério Verbo da Vida. A revista já foi bem mais crítica em relação a essas bobagens e posturas. É uma pena, mas o amoroso Deus das Revoluções está vendo.

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