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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Eu conclui o curso de jornalismo em agosto de 2000. Nada mais natural que eu pudesse pensar em ingressar no mercado de trabalho, acompanhando a carreira de meu pai.
Além disso, minha vida estava bastante estruturada em Natal. Não poderia ser de outra maneira. Nunca deixara minha casa por mais que alguns dias. Minha vida, meu crescimento e meus amigos estavam aqui,
Era difícil decidir por partir. Mas fui após entender que Deus tinha seus propósitos e que a vocação era maior que os meus medos. E aqueles dois anos que passei em Fortaleza foram de profundo amadurecimento, tendo que morar sem minha família, constituindo novas famílias com meus amigos. Sofrendo e fazendo sofrer, cresci como nunca nos anos de Ceará.
Minha vida se estruturou por lá. E meu sonho estava lá. Por isso, foi doloroso também ter de voltar para Natal neste ano. Infinitamente mais doloroso por causa de todo processo que envolveu minha volta. E também porque fui incapaz de perceber, como se deu quando fui para Fortaleza, o Deus que cuida de tudo em torno de mim me protegendo.
Mas eu tinha de voltar para avançar no meu aprendizado e crescimento, que tiveram este blog como testemunha fiel.
Agora sou um homem capaz de entender que o lugar seguro contra todo o medo é o meu coração. É no meu interior que eu posso construir o meu lugar. É a partir daqui que posso entender que o perfeito amor lança fora o medo e, assim, construir melhores relacionamentos comigo mesmo, com as pessoas à minha volta e com a vida.
Dessa maneira, não preciso mais temer mudança alguma, nem temo mais adversidade ou decepção nenhuma. Dessa maneira, posso ser feliz, apesar de tudo. Posso fazer feliz, apesar de mim.

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