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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Eu conclui o curso de jornalismo em agosto de 2000. Nada mais natural que eu pudesse pensar em ingressar no mercado de trabalho, acompanhando a carreira de meu pai.
Além disso, minha vida estava bastante estruturada em Natal. Não poderia ser de outra maneira. Nunca deixara minha casa por mais que alguns dias. Minha vida, meu crescimento e meus amigos estavam aqui,
Era difícil decidir por partir. Mas fui após entender que Deus tinha seus propósitos e que a vocação era maior que os meus medos. E aqueles dois anos que passei em Fortaleza foram de profundo amadurecimento, tendo que morar sem minha família, constituindo novas famílias com meus amigos. Sofrendo e fazendo sofrer, cresci como nunca nos anos de Ceará.
Minha vida se estruturou por lá. E meu sonho estava lá. Por isso, foi doloroso também ter de voltar para Natal neste ano. Infinitamente mais doloroso por causa de todo processo que envolveu minha volta. E também porque fui incapaz de perceber, como se deu quando fui para Fortaleza, o Deus que cuida de tudo em torno de mim me protegendo.
Mas eu tinha de voltar para avançar no meu aprendizado e crescimento, que tiveram este blog como testemunha fiel.
Agora sou um homem capaz de entender que o lugar seguro contra todo o medo é o meu coração. É no meu interior que eu posso construir o meu lugar. É a partir daqui que posso entender que o perfeito amor lança fora o medo e, assim, construir melhores relacionamentos comigo mesmo, com as pessoas à minha volta e com a vida.
Dessa maneira, não preciso mais temer mudança alguma, nem temo mais adversidade ou decepção nenhuma. Dessa maneira, posso ser feliz, apesar de tudo. Posso fazer feliz, apesar de mim.

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