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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Daqui a pouco meu primo Alexandre vai estar se casando. Meu primo, que foi o único irmão com quem eu convive. Com quem briguei, com quem brinquei, que me protegia na rua, que me fez goleiro no futebol. Ele, que me levou às primeiras festas, me ensinou a gostar de Titãs, Paralamas e O Rappa. Meu primo, herói dos primeiros anos de vida. Por quem chorei quando roubaram-me, em um São João de tantos anos, a caixa de foguinhos que tinha guardado para ele. Alexandre, meu primo a quem amei na infância, amo agora e sinto saudades já por antecipação.

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