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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Daqui a pouco meu primo Alexandre vai estar se casando. Meu primo, que foi o único irmão com quem eu convive. Com quem briguei, com quem brinquei, que me protegia na rua, que me fez goleiro no futebol. Ele, que me levou às primeiras festas, me ensinou a gostar de Titãs, Paralamas e O Rappa. Meu primo, herói dos primeiros anos de vida. Por quem chorei quando roubaram-me, em um São João de tantos anos, a caixa de foguinhos que tinha guardado para ele. Alexandre, meu primo a quem amei na infância, amo agora e sinto saudades já por antecipação.

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