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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Cumpri uma pauta bastante emocionante esta semana no jornal. Sábado é aniversário do famigerado AI-5. Fizemos uma matéria falando sobre os 35 anos da promulgação de um dos momentos mais tristes e negros da nossa história.
Entrevistei, então, o pai de uma amiga, maestro. Velho amigo de meu pai, Alberto da Hora ficou preso ao lado dele no DOI-CODI do Recife e na Colônia Penal João Chaves. Apanhou muito ao lado dele. E dize-nos aqui muitas histórias interessantes do tempo de xilindró.
Cantou para nós uma paródia de Carinhoso que o velho Rubens fez no cárcere do DOI-CODI. Homenagem à campanhia que tocava anunciando mais uma sessão de torturas.
Momento negro de nossa história. O pastor Jorge Aquino falou sobre o fato de que muitos cristãos envolvidos politicamente foram entregues à tortura e morte pelos seus próprios irmãos e até por seus pastores. Alguns desses pastores fazem tremendo sucesso hoje em dia, trazendo mãos cheias de sangue.

Tive de dispensar Alberto da Hora ontem. A conversa ficou profundamente emocionante... As lembranças estavam aflorando. A dor, marca da intolerância e estupidez humana, provocava profundo sentimento de indignação.

Olhando para a nossa história ou para a história de Pinochet e Allende no Chile não posso aceitar jamais uma submissão cega às autoridades com base em leituras distorcidas de textos como Romanos 13.

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