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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Cumpri uma pauta bastante emocionante esta semana no jornal. Sábado é aniversário do famigerado AI-5. Fizemos uma matéria falando sobre os 35 anos da promulgação de um dos momentos mais tristes e negros da nossa história.
Entrevistei, então, o pai de uma amiga, maestro. Velho amigo de meu pai, Alberto da Hora ficou preso ao lado dele no DOI-CODI do Recife e na Colônia Penal João Chaves. Apanhou muito ao lado dele. E dize-nos aqui muitas histórias interessantes do tempo de xilindró.
Cantou para nós uma paródia de Carinhoso que o velho Rubens fez no cárcere do DOI-CODI. Homenagem à campanhia que tocava anunciando mais uma sessão de torturas.
Momento negro de nossa história. O pastor Jorge Aquino falou sobre o fato de que muitos cristãos envolvidos politicamente foram entregues à tortura e morte pelos seus próprios irmãos e até por seus pastores. Alguns desses pastores fazem tremendo sucesso hoje em dia, trazendo mãos cheias de sangue.

Tive de dispensar Alberto da Hora ontem. A conversa ficou profundamente emocionante... As lembranças estavam aflorando. A dor, marca da intolerância e estupidez humana, provocava profundo sentimento de indignação.

Olhando para a nossa história ou para a história de Pinochet e Allende no Chile não posso aceitar jamais uma submissão cega às autoridades com base em leituras distorcidas de textos como Romanos 13.

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