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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Comprei um livro de Pierre Lévy, A conexão planetária, e a impressão que estou tendo na leitura é que o francês deve ter ficado cego pelas próprias idéias. No seu texto, o mundo perfeito do ciberespaço engloba toda a humanidade. Não há exclusão, não há miséria. Na verdade, parece que a ideologia por trás de suas teses diz respeito à definição do que é ser humano. Se alguém não estiver inserido ao sistema midiático global definido pelo ciberespaço é desconsiderado, certamente, como uma não-pessoa. Logo, dessa forma, é óbvio que toda a humanidade estará conectada à Rede já que é essa conexão que trará a definição de humanidade. E quem estiver excluído desse processo não será contado entre os humanos. Serão alguma sub-raça.
Preocupam-me idéias como essas que passam por ciência. O cara é respeitado como dos maiores pensadores da cibercultura no mundo atual mas me parece que assume discursos ideologizados, como o do fim da história, pregando uma vrtual unidade de uma humanidade. Parece mais uma nova Roma cibernética em que os sufocados e explorados pelos regimes liberais de todo o globo concreto serão descartados como matéria prima de um novo mundo.
Mas isso não pode pôr a perder toda a relevante reflexão que nos últimos anos, inclusive com pontos iluminados neste livro mesmo, Lévy tem gerado e trazido para o mundo contemporâneo.
Decepcionante e preocupante...

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