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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Acho essas músicas as melhores do novo CD de O Rappa, O silêncio q precede o esporro

Papo de surdo e mudo

o nascimento
de uma alma
é coisa demorada
não é partido ou jazz
em que se improvise
não é casa moldada
laje que suba fácil
natureza da gente
não tem disse me disse

no balcão do botequim
a prosa tá parada
não se fala da vida
não acontece nada
se não faltasse trabalho
no meio do barulho
o dia sobra
e sobra muito
papo de surdo e mudo

ela passa de onda
paisagem fluminense
parece dia de festa
todo mundo presente
se soubesse rimar
faria um samba antigo
onde reina a calma
e todo mundo é amigo

o calor é sólido
um pedaço eu sinto
como um bafo
e a cachaça que
queima bem forte
vibrante e forte
estaria maluco
se não estivesse junto

O salto

As ondas de vaidades
inundaram os vilarejos
E minha casa se foi
Como fome e banquete
Então achei sobre as ruínas
e as dores sobre os ferros
A brasa e a pele ardiam
Como o fogo dos novos tempos

E regaram as flores
no deserto
E regaram as flores
com chuva de insetos

Mas se você ver
em seu filho
uma face sua
e retinas de sorte
E um punhal reinar
como o brilho do sol
O que farias tu?
Se espatifaria
ou viveria
o espírito santo

Aos jornais
eu deixo meu sangue
como capital
E às famílias
um sinal

E regaram as flores
no deserto
E regaram as flores
com chuva de insetos



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