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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Vocês lembram, algum tempo atrás Marcelo Yuka, baterista e compositor do Rappa, levou seis tiros em um morro do Rio e ficou paraplégico. Vítima da violência, condenado a estar preso a uma cadeira de rodas por toda a vida.
É tristemente irônico que justamente ele, cujas letras são duras, sensíveis, perspicazes e profundamente instigantes e desafiadoras, seja uma das grandes vítimas da violência social que tanto denuncia.
É tristemente irônico que nem ele consiga escapar.
Por isso, O Rappa é profundamente concreto para mim. Eles conhecem muito bem o que cantam. O seu clamor por paz tem uma relevância muito maior do que qualquer palavra minha sobre paz e justiça.
Também morre quem atira
Menos de cinco por cento dos caras do local
São dedicados a alguma atividade marginal
E impressionam quando aparecem no jornal
Tapando a cara com trapos
Com uma Uzi na mão
Parecendo árabes do caos
Sinto muito "cumpadi" mas é burrice pensar
Que esses caras é que são os donos da biografia
Já que a grande maioria daria um livro por dia
Sobre arte, honestidade e sacrifício.

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