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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Vi na tevê que o país até outrobro atingiu um superávit primário de 64 bilhões de reais. A custa de quantas vidas?

Se eu pudesse estar frente a frente com o Presidente Lula, faria a seguinte pergunta:

Em primeiro lugar, quero dizer que entendo que dependência difere de independência. E ambas são diferentes de interdependência. Acredito que a interdependência é essencial para a construção de relações saudáveis. Em nível pessoal, em nível social, em nível econômico, em nível político. E, principalmente, em nível internacional. Esse é o primeiro ponto.

A interdependência sendo afirmada possibilita a uma nação como a nossa um desenvolvimento autônomo e libertário.

Eu votei no candidato Lula por acreditar que seu cabedal histórico e político poderiam ser potência para que um seu governo pudesse realizar esse tipo de desenvolvimento.

O governo FHC jogou o Brasil integralmente à dependência do capital externo especulativo, esgotando suas energias produtivas, estrangulando nossa produção, gerando esse quadro de desemprego estrutural e efetivo que está aí. FH aumentou, e muito, a concentração de renda e a desiguladade social.

Votei em Lula acreditando que somente ele poderia romper com a política monetarista que privilegia o capital virtual das bolsas de valores. Que somente ele poderia centrar fogo nas políticas que reduziriam a desigualdade desse país.

O Estado mínimo, efetivado pelos governos anteriores, se furta às obrigações de prover previdência social, ação social, cortando gastos em investimentos sociais. Tudo, no nosso caso, para atingir superávits primários a fim de pagar a nossa (impagável e já paga) dívida.

Lula ainda não indicou qúe possa romper com isso. Sei que seu governo não é mais do PT, mas de toda a gama de aliados (da esquerda do PC do B e PPS, à direita do PP).

Mas a minha pergunta é simples:
Ainda posso esperar a Revolução Social prometida por Dirceu no seu discurso de posse para esse governo?
Ou será que Lula está nos condenando a um excelente, conservador e frustrante mandato?
Será, meu Deus, que eu também sonhei o sonho errado?
Será que meu pai também sonhou esse sonho errado, ele e os tantos militantes que construíram o PT?

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