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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Ultimamente tenho me sentido, digamos, útil. Tenho me sentido bem comigo e, importante, bem em relação às outras pessoas. Por isso, pesaram tanto os atritos recentes em casa e com Priscila.
Tem sido muito bom me sentir companheiro de amigos como Adriano, Emília, Queila, Rebecca. Estar certo de que minhas palavras estão conduzindo à reflexão porque traduzem o que de mais profundo está se movendo dentro de mim. É muito bom ter certeza, principalmente, de que o que tenho falado e que tem servido aos amigos é muito real, especialmente para mim mesmo. São coisas que pulsam dentro de mim e querem se manifestar, tocar, explodir no seio das pessoas. São coisas que estão revolucionando toda a minha vida, toda a minha visão. Estão me revolucionando e me ajudando a colocar as coisas em ordem dentro de mim.
E, por isso, eu quero ver essa ordem revolucionária de amor também envolvendo as pessoas à minha volta. E isso me faz querer ser um amigo real. Que possa não servir para nada e possa servir então para tudo.
Tem sido bom me sentir bênção na vida das pessoas. Ouvir palavras de gratidão. De Rosinha, de Érica, de Adriano, de Grillo.
Enfim, está cada vez mais difícil escapar da vocação. Eu amo o Deus que me chamou para ser pastor. Que possa não servir para nada e possa servir então para tudo.

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