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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.
Mateus 5. 23-24

O dia na igreja foi de impacto profundo. As duas mensagens e os dois cultos mexeram com as estruturas de muita gente. Quer dizer, penso que ao menos deveriam ter mexido. Comigo mexeram, o que importa.
Pela manhã, o tema foi Quem não tiver pecado atire a primeira pedra. À noite não foi somente a mensagem; tudo me inquietou.
Quando Eliane chegou à igreja, a ficha começou a cair. O texto acima acendeu-se com força no coração e na mente. Fui estúpido com Priscila quinta-feira. Como poderia falar tanto em reconciliação, sobre perdão e ter uma atitude tão estúpida?
Antes mesmo de vir a pregação (que foi sobre amor e perdão) o peso de Mt. 5. 23 e 24 já me fizera roubar o celular de Rodrigo e enviar um pedido de perdão à Priscila.
Pensei nela. Pensei em minha irmã Yasmine. Pensei em Raquel. E pensei, por outro lado, em tanto amor que pode me envolver naquele lugar, com aquelas pessoas.
E agora penso em Ricardo, tio de Priscila, incrivelmente amável e sensível no culto de ontem à noite. Sua mãe ainda inspira cuidados. Isso deve mexer com os fundamentos de um homem.

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