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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.
Mateus 5. 23-24

O dia na igreja foi de impacto profundo. As duas mensagens e os dois cultos mexeram com as estruturas de muita gente. Quer dizer, penso que ao menos deveriam ter mexido. Comigo mexeram, o que importa.
Pela manhã, o tema foi Quem não tiver pecado atire a primeira pedra. À noite não foi somente a mensagem; tudo me inquietou.
Quando Eliane chegou à igreja, a ficha começou a cair. O texto acima acendeu-se com força no coração e na mente. Fui estúpido com Priscila quinta-feira. Como poderia falar tanto em reconciliação, sobre perdão e ter uma atitude tão estúpida?
Antes mesmo de vir a pregação (que foi sobre amor e perdão) o peso de Mt. 5. 23 e 24 já me fizera roubar o celular de Rodrigo e enviar um pedido de perdão à Priscila.
Pensei nela. Pensei em minha irmã Yasmine. Pensei em Raquel. E pensei, por outro lado, em tanto amor que pode me envolver naquele lugar, com aquelas pessoas.
E agora penso em Ricardo, tio de Priscila, incrivelmente amável e sensível no culto de ontem à noite. Sua mãe ainda inspira cuidados. Isso deve mexer com os fundamentos de um homem.

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