Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Por muito tempo admirei algumas pessoas. Quer dizer, eu achava que as admirava quando na verdade admirava apenas suas idéias, suas convicções, as coisas que faziam. Eu não era capaz de admirá-las verdadeiramente. Ou porque elas não eram admiráveis ou porque eu era incapaz de admirar alguém de verdade.
Aquelas perguntas que fiz outro dia são decisivas aqui: A quem eu amo? A quem eu sigo?. Minha admiração por essas pessoas as tornavam exemplos para a minha vida. Mas exemplos de quê? De lutas? De idéias? São essas coisas que são importantes na vida? Ou seria o amor?
Descobri que algumas pessoas a quem admirava por suas idéias eram incapazes de me ensinar algo sobre o amor. E então eu não aprendia nada de valor para construir uma vida saudável. E assim meus relacionamentos, com elas ou com outras pessoas, repetiam os mesmos erros de sempre. Eu nunca crescia. Nunca amadurecia. Nunca me tornava gente.
Mas eu quero exemplos de amor para minha vida. Exemplos de relacionamento. Nisso tem começado a se encaixar minha sobrinha Juliana.
Foi muito bom conversar com ela hoje. Ela nem sabe que me fez ver o quanto a minha teologia se desviou das minhas palavras nos últimos tempos. Se eu prego uma Teologia revolucionária ela precisa se firmar em relacionamentos reais, acima de tudo com Deus. Richard Shaull já afirmava que comunidades de amor, que ele chamava de Koinonias, iriam ser promotoras da Revolução do Reino de Deus. E Koinonia é comunhão, relação, amor. É vida.
Se eu prego uma Teologia revolucionária, preciso construir relações com o amor transformador. Minha sobrinha nem sabe o quanto me fez ver isso hoje.

Comentários

Postagens mais visitadas