Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Poderia vir nesse post como em tantos nas últimas semanas dizer que tive perdas. Mas é emocionantemente verdade que não perdi nada! E ganhei mais do que em qualquer outra época da minha vida.
Minha única perda, um romance, não a chamaria real. Como poderia perder alguém que nunca tive? Como poderia acabar um romance que nunca houve? E como foi grato, plenificante e libertador descobrir isso.
Não, eu não sou a raposa de La Fontaine. Minha percepção disso tudo ocorreu paralelamente ao meu processo de perda. E concretizou-se já longe dela. Não perdi nada. E ganhei tanto.
Ganhei de novo amigas como Queila, Emília, a quem sempre pertenci. Mesmo sem saber. Ganhei de novo meu pastor e Amariles, a quem pertenço com consciência. Ganhei novas pessoas, também.
E ganhei, acima de tudo, minha família. Juliana, Fabinho, Serginho, Lucinha. Pertenço agora a eles.
Ganhei crescimento. Ganhei liberdade. Ganhei uma felicidade que nunca antes havia sentido. Ganhei de volta sonho e vocação. Ganhei senso de pertencimento.
Ganhei tanto de Deus. O que darei em troca?
Ganhei tanto que me faltam palavras. Engasgo-me com elas.
Ganhei tanto ... como poderia reclamar a perda de uma utopia? Como poderia, diante da concretude de tanta coisa nova?

Comentários

Postagens mais visitadas