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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Poderia vir nesse post como em tantos nas últimas semanas dizer que tive perdas. Mas é emocionantemente verdade que não perdi nada! E ganhei mais do que em qualquer outra época da minha vida.
Minha única perda, um romance, não a chamaria real. Como poderia perder alguém que nunca tive? Como poderia acabar um romance que nunca houve? E como foi grato, plenificante e libertador descobrir isso.
Não, eu não sou a raposa de La Fontaine. Minha percepção disso tudo ocorreu paralelamente ao meu processo de perda. E concretizou-se já longe dela. Não perdi nada. E ganhei tanto.
Ganhei de novo amigas como Queila, Emília, a quem sempre pertenci. Mesmo sem saber. Ganhei de novo meu pastor e Amariles, a quem pertenço com consciência. Ganhei novas pessoas, também.
E ganhei, acima de tudo, minha família. Juliana, Fabinho, Serginho, Lucinha. Pertenço agora a eles.
Ganhei crescimento. Ganhei liberdade. Ganhei uma felicidade que nunca antes havia sentido. Ganhei de volta sonho e vocação. Ganhei senso de pertencimento.
Ganhei tanto de Deus. O que darei em troca?
Ganhei tanto que me faltam palavras. Engasgo-me com elas.
Ganhei tanto ... como poderia reclamar a perda de uma utopia? Como poderia, diante da concretude de tanta coisa nova?

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