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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
A pobreza não é causa dos males. Mas a nossa sociedade, como funciona, como lida com os menos favorecidos, acaba por colher o que planta.
Já se disse que um dia o morro vai descer para o asfalto. Aí a guerra civil, o conflito entre dominadores e sujeitados, vai se tornar mais clara.
A classe média (e a mídia nos reflete) usamos dois pesos e duas medidas e não nos preocupamos com as causas mais graves dos males que nos envolvem. Cegamo-nos para tudo até que matam nossos filhos. Então, a saída mais fácil é exterminar a senzala. Mas, se fazemos isso, a espiral se realimenta e o conflito se fortalece.
Eu somente gostaria que pensássemos mais no mundo que nos cerca e no papel que podemos desempenhar nele. Em busca de soluções que possam reescrever uma história de plena reconciliação.

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