Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Fim de semana, acho que nossa criatividade murcha um pouco. Talvez seja o ritmo de igreja, sermão, louvor, oração, futebol na Globo. Falta reflexão diante do entorpecente Faustão (preciso assistir para criticar, não é essa a desculpa de cada um de nós?).

Aprendi com Daniel Pennac a não culpar a televisão pela falta de leitura de cada um de nós. Eu a culpo por outras coisas, como a nossa falta de criticidade (não foram os Titãs quem disseram que a televisão me deixou burro, muito burro demais?).

Mas por falar em leitura e para encerrar esse domingo sem muita criatividade (e com muita saudade de uma companhia feminina, mulher real dos meus sonhos, companheira fiel e concreta), mais um pouco de Daniel Pennac, Como um romance, texto presenteado por Adriano no nosso mestrado:

O homem constrói casas porque está vivo, mas escreve livros porque se sabe mortal. Ele vive em grupo porque é gregário, mas lê porque se sabe só.

E, assim, Pennac (e eu) fecha sua linda obra.

Comentários

Postagens mais visitadas