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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Fim de semana, acho que nossa criatividade murcha um pouco. Talvez seja o ritmo de igreja, sermão, louvor, oração, futebol na Globo. Falta reflexão diante do entorpecente Faustão (preciso assistir para criticar, não é essa a desculpa de cada um de nós?).

Aprendi com Daniel Pennac a não culpar a televisão pela falta de leitura de cada um de nós. Eu a culpo por outras coisas, como a nossa falta de criticidade (não foram os Titãs quem disseram que a televisão me deixou burro, muito burro demais?).

Mas por falar em leitura e para encerrar esse domingo sem muita criatividade (e com muita saudade de uma companhia feminina, mulher real dos meus sonhos, companheira fiel e concreta), mais um pouco de Daniel Pennac, Como um romance, texto presenteado por Adriano no nosso mestrado:

O homem constrói casas porque está vivo, mas escreve livros porque se sabe mortal. Ele vive em grupo porque é gregário, mas lê porque se sabe só.

E, assim, Pennac (e eu) fecha sua linda obra.

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