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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Eu tenho duas possíveis interpretações para o terceiro filme. Quer dizer, duas possíveis respostas à pergunta: o que, afinal, Matrix quer dizer?
Nas duas o motor de tudo é o amor. E a solução de tudo também.
A primeira
O filme é redundante e reafirma o cristianismo. Enquanto no primeiro filme, o Messias morre e ressuscita para salvar os homens, o terceiro mostra mais uma missão do Cristo: a reconciliação, a paz. Ao ser crucificado e entregar a própria vida. Como Cristo, Neo compra a reconciliação e a paz entre homens e máquinas. Ele vai ao seu Gólgota e escolhe se dá pela paz. E parece conseguir.
A segunda
A solução de tudo é o amor, a reconciliação e a paz. O que pode preservar o homem no planeta é isso.
Mas acredito que o filme pretende dizer que é preciso mudarmos nossos paradigmas para conseguirmos isso.
Não é a modernidade, representada pelas máquinas e precisão racional do Arquiteto. A racionalidade moderna, auto-destrutiva como Smith, não é caminho seguro para a paz, segundo Matrix.
Mas, para o filme, o caminho também não é a religião tradicional representada pelo cristianismo.
Deus está morto. O beijo da morte de Persérfone alcançou a Trindade (Trinity). A Trindade morreu.
A afirmação de fé dos cristãos é relida na seqüência final. Quando o deus das máquinas, após afirmar que estava consumado, libera o corpo inerte de Neo, é o Crucificado que ele recolhe. Como uma Madona com o corpo morto do Filho.
Neo morreu para que a paz se fizesse. Mas ele não ressuscita. Ele continua morto ao fim do filme. Para Matrix não é a morte e a ressurreição do Messias que promove a paz. É a desconstrução e morte do cristianismo.
Esta é a mensagem de paz e amor: nem a racionalidade moderna nem o cristianismo. O caminho é um novo paradigma, um novo projeto de relacionamento e amor uns com os outros e com a vida e o mundo.

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