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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Eu tenho duas possíveis interpretações para o terceiro filme. Quer dizer, duas possíveis respostas à pergunta: o que, afinal, Matrix quer dizer?
Nas duas o motor de tudo é o amor. E a solução de tudo também.
A primeira
O filme é redundante e reafirma o cristianismo. Enquanto no primeiro filme, o Messias morre e ressuscita para salvar os homens, o terceiro mostra mais uma missão do Cristo: a reconciliação, a paz. Ao ser crucificado e entregar a própria vida. Como Cristo, Neo compra a reconciliação e a paz entre homens e máquinas. Ele vai ao seu Gólgota e escolhe se dá pela paz. E parece conseguir.
A segunda
A solução de tudo é o amor, a reconciliação e a paz. O que pode preservar o homem no planeta é isso.
Mas acredito que o filme pretende dizer que é preciso mudarmos nossos paradigmas para conseguirmos isso.
Não é a modernidade, representada pelas máquinas e precisão racional do Arquiteto. A racionalidade moderna, auto-destrutiva como Smith, não é caminho seguro para a paz, segundo Matrix.
Mas, para o filme, o caminho também não é a religião tradicional representada pelo cristianismo.
Deus está morto. O beijo da morte de Persérfone alcançou a Trindade (Trinity). A Trindade morreu.
A afirmação de fé dos cristãos é relida na seqüência final. Quando o deus das máquinas, após afirmar que estava consumado, libera o corpo inerte de Neo, é o Crucificado que ele recolhe. Como uma Madona com o corpo morto do Filho.
Neo morreu para que a paz se fizesse. Mas ele não ressuscita. Ele continua morto ao fim do filme. Para Matrix não é a morte e a ressurreição do Messias que promove a paz. É a desconstrução e morte do cristianismo.
Esta é a mensagem de paz e amor: nem a racionalidade moderna nem o cristianismo. O caminho é um novo paradigma, um novo projeto de relacionamento e amor uns com os outros e com a vida e o mundo.

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