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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
A crônica abaixo foi escrita pelo meu pastor:

Crônica do fim
(Kleber Nobre de Queiroz)

Nos sentamos lado a lado ao crepúsculo. Embora juntos, estávamos distantes. As palavras que ao longo dos anos encheram as nossas vidas silenciaram. Na melodia das nossas vidas já não há mais alegros, colcheias; só pausa e silêncio.

Onde foi que a música cessou em nossas vidas? Porque deixamos cessar em nossas vidas o barulho de risos, a palavra doce que enternece a alma? Porque colocamos armaduras e armamos trincheiras, construímos casamatas e juntos fuzilamos o amor com o duro metal das palavras incandescentes e mortais?

Agora, estamos aqui, tanta coisa para dizer, mas a noite faz cair sobre nós um véu denso de silêncio e dor.

Há um gemido silencioso, um soluço afogado dentro de nós. Sepultamos sonhos e sacrificamos as esperanças no altar do nosso orgulho.

As estrelas já brilham, indiferentes à nossa tristeza, quase riem da nossa dor.

É noite, é dor, é silêncio, é solidão. O amor morreu. Ficou ali insepulto, estendido em um banco de uma praça à beira-mar. As ondas vão e vem continuamente em ritmos lento e preguiçoso. Nós partimos, nem mesmo um triste adeus se ouviu naquela noite fria.

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