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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
A crônica abaixo foi escrita pelo meu pastor:

Crônica do fim
(Kleber Nobre de Queiroz)

Nos sentamos lado a lado ao crepúsculo. Embora juntos, estávamos distantes. As palavras que ao longo dos anos encheram as nossas vidas silenciaram. Na melodia das nossas vidas já não há mais alegros, colcheias; só pausa e silêncio.

Onde foi que a música cessou em nossas vidas? Porque deixamos cessar em nossas vidas o barulho de risos, a palavra doce que enternece a alma? Porque colocamos armaduras e armamos trincheiras, construímos casamatas e juntos fuzilamos o amor com o duro metal das palavras incandescentes e mortais?

Agora, estamos aqui, tanta coisa para dizer, mas a noite faz cair sobre nós um véu denso de silêncio e dor.

Há um gemido silencioso, um soluço afogado dentro de nós. Sepultamos sonhos e sacrificamos as esperanças no altar do nosso orgulho.

As estrelas já brilham, indiferentes à nossa tristeza, quase riem da nossa dor.

É noite, é dor, é silêncio, é solidão. O amor morreu. Ficou ali insepulto, estendido em um banco de uma praça à beira-mar. As ondas vão e vem continuamente em ritmos lento e preguiçoso. Nós partimos, nem mesmo um triste adeus se ouviu naquela noite fria.

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