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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
As idéias de transformação revolucionária sempre renascem em mim diante de quadros que aguçam a sensibilidade. Aliás, o tema da vez está sendo sensibilidade.
Como eu gritei por dentro a dor da minha incapacidade quando fui tocado por aquela senhora. Risonha, mas sem dentes, rugas profundas no rosto, peles caídas nos braços, que eram finos como as pernas. Abordando as pessoas no ponto de ônibus pedindo esmolas. Ainda que as tivesse para dar, de nada adiantariam para mudar aquele quadro. O que adiantaria?
Que sociedade doente é essa que lança nas ruas seus cidadãos, especialmente crianças e idosos, sem lhes conferir respeito ou oportunidade? E os jovens sonhando em serem produtivos, mas que até uma escola de qualidade lhes é vetada.
O fermento da indignação explodiu em mim. A certeza de que, tendo as pessoas em primeiro plano, é preciso lutar por transformações.
Quando meus estéticos e sensíveis olhos contemplarem a pobreza feiosa das ruas fedorentas das favelas, devo me lembrar que esse é o retrato do feio monstro do sistema ideológico que quer controlar tudo. É a face de Mamon, a quem o Deus de Amor expulsará.

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