Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Quem você ama? Quem você segue? Você segue a quem você ama?
Essas foram relevantes questões levantadas por Susana semana passada. E me fizeram pensar, inclusive, nos riscos que o maravilhoso mundo dos blogs nos traz. Riscos de perdermos a concretude de nossos envolvimentos para a plasticidade de idéias e imagens blogueiras.
Quando criamos uma comunidade nesse ciberespaço, criamos laços virtuais. Você me lê, mas meus posts não são capazes de lhe dar a dimensão exata de quem sou. Você, por exemplo, não pode saber exatamente porque cito tanto duas ex-namoradas como perdas irreparáveis. Você desconhece os detalhes desses relacionamentos, seus impactos, suas dores...
Pierre Lévy diz que a virtualização dos relacionamentos no ciberespaço nos leva a relacionamentos concretos no mundo material. As pessoas que se encontram pela Net geralmente buscam se encontrar no mundo.
Mas ainda assim desconfio que essas espécies de encontros reais no mundo somente estendem a virtualidade desses relacionamentos. Acredito que ainda quando o encontro se dá face a face corremos o risco de nos mascararmos dos personagens que criamos nesse mundo virtual.
Logo, os blogs precisam ser tratados por nós, blogueiros, com muito cuidado e senso crítico. Caso contrário podemos estar perdendo o melhor da vida: relacionamentos concretos, reais e transformadores.

Comentários

Postagens mais visitadas