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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Quem você ama? Quem você segue? Você segue a quem você ama?
Essas foram relevantes questões levantadas por Susana semana passada. E me fizeram pensar, inclusive, nos riscos que o maravilhoso mundo dos blogs nos traz. Riscos de perdermos a concretude de nossos envolvimentos para a plasticidade de idéias e imagens blogueiras.
Quando criamos uma comunidade nesse ciberespaço, criamos laços virtuais. Você me lê, mas meus posts não são capazes de lhe dar a dimensão exata de quem sou. Você, por exemplo, não pode saber exatamente porque cito tanto duas ex-namoradas como perdas irreparáveis. Você desconhece os detalhes desses relacionamentos, seus impactos, suas dores...
Pierre Lévy diz que a virtualização dos relacionamentos no ciberespaço nos leva a relacionamentos concretos no mundo material. As pessoas que se encontram pela Net geralmente buscam se encontrar no mundo.
Mas ainda assim desconfio que essas espécies de encontros reais no mundo somente estendem a virtualidade desses relacionamentos. Acredito que ainda quando o encontro se dá face a face corremos o risco de nos mascararmos dos personagens que criamos nesse mundo virtual.
Logo, os blogs precisam ser tratados por nós, blogueiros, com muito cuidado e senso crítico. Caso contrário podemos estar perdendo o melhor da vida: relacionamentos concretos, reais e transformadores.

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