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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
(publico as duas belas letras abaixo somente para confirmar a estatística de que Nando Reis é compositor mais citado neste blog)

Dois rios
(Samuel Rosa, Nando Reis e Lô Borges)

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros... Sem direção

O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão
O sol se põe, se vai
E após se por o sol renasce no Japão...
Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz da vida ouvi dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros... Sem direção

E o meu lugar é esse ao lado seu
No corpo inteiro
Dou meu lugar,
Pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite, as quatro estações

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro é a escuridão
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros... Sem direção

E o meu lugar é esse ao lado seu
No corpo inteiro
Dou meu lugar,
Pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite, as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios sejam
Dois rios inteiros... Sem direção

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros... Sem direção

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