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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Lucinha, minha irmã, me manda uma poesia de meu pai, que termina por confirmar grande parte das coisas que conversei com Susana, sexta-feira. É um poema de amor, amor transcendental, ideológico. É um poema que mostra que, por alguma via ainda desconhecida, me assemelho a um pai que nunca esteve presente tempo suficiente para eu copiá-lo.
Mas agora a minha busca é por amar e seguir pessoas, ainda que as idéias sejam e continuem sendo motivação importante na minha caminhada:

Por quem eu morrerei de amor

Eu amo aquela mulher
que está em muitos lugares
como uma lua desejada

Paixão que vem de longe
e sempre em minhas veias,
vísceras e sangue.

Uma mulher de incontáveis amantes
duros e ternos,
dos quais muitos chegaram
ao extremo por ela: morreram de amor.

Essa mulher tão clara e transparente
Tem o sabor gostoso, fabricado em sonhos
Igual dois sexos disputando a vida.

Perdi, alguma vez, de ter entre meus braços
O corpo vivo de minha paixão.
Foram derrotas para rivais mais fortes
E reconheço: eles fizeram jús ao meu ciúme
E mereceram o meu abraço cúmplice.
Não me senti traído.

E outras frustrações são esperadas
Pelos amantes espalhados, distraídos
Nas avenidas repletas de pretendente vacilantes

Não abdico jamais e apesar de tudo
Do meu direito de paixão por essa mulher.

Um dia eu a verei chegar
À minha alcova (mesmo que seja a última)
Depois que ela tenha percorrido o íntimo segredo
De todos os amantes, felizes e liberados.

Só não alcançarei o gozo da libertação
Por uma e só e única verdade, feliz
Terei morrido antes da paixão.

Para Lucinha, a revelação do meu amor revolucionário,
Rubens Lemos

(Dourados,14 de dezembro de 1985)

Pois bem, Daniel meu irmão, eis a mulher
de nome REVOLUÇÃO por quem meu pai
foi um eterno apaixonado!

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