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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Foi marcante para mim no fim de semana perceber, de uma maneira nova, como a Encarnação do Logos se realiza através da família de Jesus. E o que isso pode significar.
Jesus se faz homem (Deus optando por vir até nós para nos resgatar) através de uma Encarnação em que sua família realiza toda a humanidade (com sua força e fraqueza) que Ele assume para Si.
Todo tipo de gente compõe a família de Jesus, como todo o tipo de gente faz o gênero humano. Para mim, isso pode significar que a família de Jesus se confunde com a humanidade. Significa que Ele encarna toda essa humanidade e veio resgatá-la. Toda essa família é alvo do amor de Deus.
O Evangelho de Mateus põe na genealogia de Jesus reis, mas também uma prostituta, uma estrangeira (que é excluída religiosa), uma adúltera, uma mãe solteira (a própria Maria). Quatro mulheres. Quatro excluídas. Todas realizando a humanidade de Cristo.
É revolucionário pensar que a humanidade de Jesus se realiza em pessoas tão humanas quanto nós mesmos. É revolucionário pensar que essa totalidade de pessoas é alvo da ação e do amor de Deus. É revolucionário pensar que o amor de Deus em Jesus está aí para alcançar todos esses tipos de pessoas, fracos, carentes e pecadores.

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