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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Estou gostando mesmo de Enquanto o amor não vem, emprestado por Emília. A autora tem descrito muito bem o que ela chama de meio-tempo. Isso tem me ajudado a ver que muitas das minhas dúvidas e dores, que me faziam pensar que talvez eu não fosse normal são características desse tempo de espera pelo momento do amor. Significam que eu não estou pronto para experimentar a realidade de que a felicidade no amor se firma na minha felicidade com o amor por mim mesmo. Em outras palavras: esse é um momento em que eu deveria me ouvir mais, me preparar para o amor, porque o relacionamento perfeito nasce com um relacionamento perfeito conosco mesmo.
Uma coisa que me impressionou foi a história de amor da autora. Ela se apaixonou aos treze anos. Não ficaram juntos. Ela foi mãe solteira, casou três vezes. Quando tinha 28 anos, começou a viver com ele. Viveram juntos cinco anos. Separaram-se. Mais dez anos e ela, finalmente, com 43 anos, pôde se encontrar consigo mesma. E percebeu que não precisava daquele homem para ser feliz. Foi aí que ele voltou para a vida dela. Foi assim que, trinta anos depois, eles se casaram.

A única coisa que temo é que o livro não aponte o caminho. Quer dizer: seja uma excelente análise, mas sem nenhuma resposta.

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