Pular para o conteúdo principal

Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
Estou gostando mesmo de Enquanto o amor não vem, emprestado por Emília. A autora tem descrito muito bem o que ela chama de meio-tempo. Isso tem me ajudado a ver que muitas das minhas dúvidas e dores, que me faziam pensar que talvez eu não fosse normal são características desse tempo de espera pelo momento do amor. Significam que eu não estou pronto para experimentar a realidade de que a felicidade no amor se firma na minha felicidade com o amor por mim mesmo. Em outras palavras: esse é um momento em que eu deveria me ouvir mais, me preparar para o amor, porque o relacionamento perfeito nasce com um relacionamento perfeito conosco mesmo.
Uma coisa que me impressionou foi a história de amor da autora. Ela se apaixonou aos treze anos. Não ficaram juntos. Ela foi mãe solteira, casou três vezes. Quando tinha 28 anos, começou a viver com ele. Viveram juntos cinco anos. Separaram-se. Mais dez anos e ela, finalmente, com 43 anos, pôde se encontrar consigo mesma. E percebeu que não precisava daquele homem para ser feliz. Foi aí que ele voltou para a vida dela. Foi assim que, trinta anos depois, eles se casaram.

A única coisa que temo é que o livro não aponte o caminho. Quer dizer: seja uma excelente análise, mas sem nenhuma resposta.

Comentários

Postagens mais visitadas