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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
E se ...

... eu não cometesse os erros que cometi? Se eu não os continuasse cometendo? Se eu não estivesse jogando para perder?
Se eu não trouxesse as marcas que eu trago? Se eu não fosse a pessoa que sou?
Se eu tivesse percebido, ano passado, que tudo estava certo demais? Se eu tivesse me precavido? Se eu estivesse preparado?
Se eu tivesse percebido que minha relação com Raquel era profundamente doentia e destrutiva, antes que fosse tarde? Se eu tivesse posto fim ao relacionamento em tempo?
Se eu tivesse aceitado a decisão de minha igreja de me tirar do Seminário? Se eu não tivesse lutado por terminar o ano letivo de 2002?
Se eu aprendesse a doçura de ser amável em todos os momentos? Se eu soubesse amar quem me ama?
Se eu não tivesse perdido tanta gente?
Se eu tivesse percebido que estava minando a força do amor? Se eu tivesse visto que, pouco a pouco, estava perdendo, mais uma vez, você?
Se minha vida ainda tivesse (a tua) graça?

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