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Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...
E se ...

... eu não cometesse os erros que cometi? Se eu não os continuasse cometendo? Se eu não estivesse jogando para perder?
Se eu não trouxesse as marcas que eu trago? Se eu não fosse a pessoa que sou?
Se eu tivesse percebido, ano passado, que tudo estava certo demais? Se eu tivesse me precavido? Se eu estivesse preparado?
Se eu tivesse percebido que minha relação com Raquel era profundamente doentia e destrutiva, antes que fosse tarde? Se eu tivesse posto fim ao relacionamento em tempo?
Se eu tivesse aceitado a decisão de minha igreja de me tirar do Seminário? Se eu não tivesse lutado por terminar o ano letivo de 2002?
Se eu aprendesse a doçura de ser amável em todos os momentos? Se eu soubesse amar quem me ama?
Se eu não tivesse perdido tanta gente?
Se eu tivesse percebido que estava minando a força do amor? Se eu tivesse visto que, pouco a pouco, estava perdendo, mais uma vez, você?
Se minha vida ainda tivesse (a tua) graça?

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