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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
Descobri uma edição da revista Eclésia de abril de 2001. Ali, uma reportagem com o Pr. Marcos Cosmo, ordenado pela Igreja Batista Independente, ativista político mal visto em sua denominação. Atualmente, pastor anglicano. Ele foi fundador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto em Recife, participa de invasões, segue os princípios da desobediência civil de Martin Luther King, Jr.
Aí, ele diz:
Hoje, os pastores só querem igreja em bairro de classe média. Ninguém quer pastorear miseráveis, apesar de termos um grande contingente de evangélicos entre os que não têm nada.
Então, a matéria se encerra com Cosmo afirmando ter sentido na pele a frase de D. Hélder Câmara, morto em 1998:
Quando defendi os pobres, chamaram-me de cristão. Quando apontei as causas da pobreza, disseram que era comunista.
Rebelde, subversivo seriam sinônimos de comunista?

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