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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
De Alice, sobre o amor:

Porque tanto sobre amor?

Bem, porque eu amo. Não porque eu assim decidi racional ou conscientemente. Amo porque o Amor me escolheu para amar desta forma, ardente, impulsiva, e ao mesmo tempo (o amor permite o paradoxo) serena e profundamente. O amor arde na minha pele e arranha deixando cicatrizes, marcas eternas. Embriaga-me com sua nítida lucidez. Amo porque o meu corpo exige, porque a minha implora, amo porque fui exilada de minha vontade. Amo porque sou, como o Sol e as estrelas, conduzida pelo Amor. É o amor que move o Sol e as estrelas, como escreveu Dante. Amo porque a presença do que eu sinto trouxe sentido a fragmentos da minha história espalhados pelo vento. Amo, não sei se demais ou o tanto certo. Não tenho amormômetro. Tenho apenas a confiança de que eu fui agraciada por Deus, e posso provar dele, que é Amor, cada vez que me interpelo quanto ao que em mim pulsa. Amo porque meus sentidos estão mais alertas, amo porque minha alma está lânguida. Amo porque o amor se faz intumescente, e porque se contrai, e pulsa, e clama. Amo porque há fogo e chama. Amo porque o Amor me chama, de dentro de um labirinto, onde meu caminho se bifurca num ser que parte e num ser que se parte, ao ficar. Amo porque as flores existem, porque o mar existe, porque o tudo, inclusive o nada está disponível. Amo poque o amor constrói possibilidades e derruba limites, arrasa fronteiras e muros e aponta para novas pontes. Amo porque há doçura nas fontes. Amo porque o amor inunda.
Amo.


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